13
abr
09

O bom ditador

Evo Morales entra em greve de fome. Mas não é por alguma causa nobre, como o sofrimento das camadas mais pobres. Nem pelos direitos das minorias, nem pela matança desenfreada de espécies em extinção. A greve de fome, neste caso, é para sensibilizar os deputados e senadores de seu país a votarem uma lei eleitoral que pode deixá-lo no poder até 2015.

Fazendo uma corruptela da frase recorrente do presidente Lula, nunca na história deste planeta houve um caso de alguém com pretensões despótico-ditatoriais que fizesse greve de fome para se manter no poder. Por que ele não faz como o Hugo Chavez e, muito antes, Fidel Castro e simplesmente bate com o cetro na mesa e muda a Constituição em seu favor? O que ele acha que vai acontecer se a greve de fome surtir efeito? Que ele vai ter aprovação mundial?
Eu não tenho ouvido nada a respeito de outros líderes de outros países solidários à causa. Nem do Lula.
Evo Morales é uma tentativa patética de criar o conceito do “bom ditador”.

Imaginem um país em que seu eterno governante permanece no poder através de mecanismos legais que garantam seu status de chefe de governo e de Estado e que, de quebra, tenha o apoio total e irrestrito de sua população. E esse governante só se preocuparia com o bem estar dos cidadãos (leia-se condições para que todos cresçam e não esmolas para se manterem) e estimularia o relacionamento comercial com outras nações, visando o crescimento da economia interna e externa (esta última com o intuito de manter o “cliente” ativo e gastando). E no dia em que aparecer alguém que possa dar continuidade ao seu projeto de governo, ou que a população não o quiser mais no poder, o bom ditador se recolheria à sua aposentadoria e deixaria o poder em favor dos clamores da população.

Isso não existe, diria Padre Quevedo. Afinal, as palavras “bom” e “ditador” dificilmente se combinam numa mesma frase, além de serem excludentes. Mas o que o Evo quer é provar que ele pode ser a personificação desse conceito. Diferentemente de Chavez e Fidel, que assumiram sua condição de caudilhos, Evo quer a aprovação mundial. Ora, e desde quando um ditador se lixa para o que os outros países pensam?

Eu acredito que ele vê nos modelos de Chaves e Fidel uma maneira equivocada de se manter no poder. Assim, ele desenvolve um estilo de despotismo açucarado, se fazendo de vítma ao lhe ser negado o poder eterno. Enquanto Fidel tomou o poder à força e Chavez reescreveu a carta magna de seu país, fatores que os tornaram populares apenas nos círculos intelectualóides de esquerda e nos movimentos sociais da vertente socialista, Evo Morales quer mostrar ao mundo que um ditador pode ser uma boa opção para um país.

Convenhamos, a história está recheada desses lunáticos. Hitler, guardadas as devidas proporções, tentou fazer o mesmo na Alemanha, com a diferença que o relacionamento comercial com os outros países se resumia a “eu te invado, você se rende e em troca eu te fodo”. Mas as ações clássicas, como desarmar a população, controlar a imprensa e estabelecer um inimigo comum que una a grande massa num clima de “nós contra eles”, são as mesmas em todos os casos.

Do fundo do meu coração? Morra de fome, Evo.


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