Arquivo de abril \30\UTC 2009

30
abr
09

Trilha sonora do submundo

Passeando pelo mundo do torrent, acabei baixando a trilha sonora do Underworld: Rise of the Lycans. Nesse terceiro filme da série sobre a eterna luta entre vampiros e lobisomens… Ah! Você não sabia? Qualquer nerd sabe que tem uma luta entre essas duas raças e que os seres-humanos estão no meio. E para não se foderem também, os nerds se fantasiam de vampiro ou lobisomem, na esperança de não serem atacados na estréia do filme.

Enfim, nesse terceiro filme é contada a história (ou uma delas) que deu origem à trilogia. Um lobisomem que se apaixona por uma vampira tem que lutar contra a escravidão do seu povo para viver o seu amor… argh! Só que o papai vampiro não gosta de lobisomens, a não ser como mascotes e daí se desenrola o filme. Sim, é mais um filme sobre vampiros, só que com um ar gótico-death metal-hi tech. A diferença para aquela chatice da série Crepúsculo é que os personagens trepam. Ah! Você não sabia que os personagens da série de maior sucesso entre adolescentes espinhudos e com um pouco de tecido adiposo em excesso não trepam? Pois é.

Mas, voltando ao Underworld, a trilha sonora é bem a cara do filme (que eu não assisti ainda, mas deve ser a mesma coisa dos outros dois). Bacaninha e com alguns poucos pontos fortes. Quando você for comprar, ou baixar, não se assuste com as bandas que você nunca ouviu falar. Se você tiver mais de 30 anos, como eu, você pode entrar no site do Fábio Massari e se atualizar. Se tem menos que 30, talvez as únicas coisas que você desconheça são The Cure e Perry Farrell.

A primeira música é interpretada por alguma coisa chamada Puscifer (Pus + Lúcifer, sacou? Hã, hã, hã?! Duh…). Até que é legal. Batidinha eletrônica, efeitos sonoros, um baixo discreto, guitarra elétrica… o de sempre para filmes desse gênero. Na sequência vem a do Cure. A voz do Robert Smith é indefectível. Mas o som não veio com cara de The Cure, pois parece que a música foi produzida por um dos caras do Puscifer (Caaaaaaara! Puscifer! Grande sacada! Uh-hu!!) e ficou meio lounge, meio calabresa. Mas legal.

A terceira vem rasgando com o Perry Farrell gritando Nasty Little Perv (título da música), sobre uma batidinha eletrônica acompanhada de guitarras, batera e baixo (bem cozinha mesmo), além de uns samplezinhos. Bem a cara do velho vocalista da banda com nome de puta (aliás, puta banda, diga-se de passagem). Depois vem Deftones mandando um nu-metal bem nu-metal. Guitarras pesadas com vozes choradas, cantando lamúrias e sonhos sinistros… eca.

Bom até aí, só não conhecia a Puscifer (Nuoooooossa! Cara, não me conformo com a criatividade! …). O daqui pra frente é que me travou. AFI, Alkaline Trio, William Control, Genghis Tron (faça-me o favor…), Blaqk Audio (Não. Não foi erro de digitação), Trhice, Combichrist, Black Light Burns, Drop Dead Gorgeous, King Black Acid, From First to Last (faz-me rir) e Ghosts on the Radio. As que não são eletrônico são emo. As que são eletrônico também têm uma tendência a emo. Ou seja, só deu pra escutar inteiras as quatro primeiras músicas. A primeira pela curiosidade, confesso. Afinal, Puscifer não é demais?!?

Realmente, tou ficando velho.

30
abr
09

Odeio a grande maioria

Simplesmente odeio esse termo. Odeio mais ainda quem inventou! Quem porra é a grande maioria? Deve ser parente do elo de ligação, casada com o a nível de e vai estar tendo um filho de um erro gramatical com quem transou há nove meses atrás.

Depois chiam quando eu xingo.

28
abr
09

Ecochatos e afins

Incrível! Tem uma coisa que eu adoro numa coisa que eu odeio. Eu odeio ecochatos e suas organizações igualmente chatas. Odeio seus discursos sobre o fim do mundo, beirando o messianismo apocalíptico tresloucado dos evangélicos.

Mas eu adoro os protestos deles. Principalmente os do PETA. Pra quem não sabe, ou não teve a curiosidade de clicar no link anterior, é uma ONG que faz campanhas pelo tratamento digno dos animais. Eu acho isso muito legal, juro. Mas só até aí. O problema é quando eles resolvem fazer proselitismo de vegetarianismo e uso de produtos que não sejam de origem animal.

Será que os caras, além desses outros vegetarianos chatos, não se ligaram que o ser-humano é CARNÍVORO? Algum deles já teve a curiosidade de pesquisar sobre o esmalte dos nossos dentes? Ou sobre o nosso aparelho digestivo? Ou sobre a necessidade de proteína animal? Ah, façam-me o favor! Que graça teria se não usássemos couro? Esse povo deve ser frígido e não deve ter nenhuma libido! Já pensou não poder ver aquela gostosona, com aquela bundinha cujas nádegas parecem mais as metades de um ovo cozido de tão bem feitinhas e durinhas, não podendo usar uma calça de couro agarradinha, ou uma bota de couro, com cano e salto altos? Couro é excitante, acordem para a vida!

Mas, voltando ao que eu realmente gosto nos protestos: as gostosas nuas e seminuas que aparecem neles. Por exemplo esse abaixo, noticiado no UOL hoje:

petaprotest1

 

Fala sério! Onde eles arrumam tanta gostosa assim? Claro que em alguns protestos, a gente acaba sendo atacado por alguma gorduchinha ou um peitinho murcho balouçante… Mas na maioria deles são só gostosas. Acho que eles usam a máxima da associação das campanhas de ferramentas, que o Jerry Seinfeld descreveu com perfeição. Imaginem uma campanha publicitária de ferramentas. “O que aquela gostosa, usando shorts cavados e decote está fazendo segurando aquela caixa de chaves de fenda? E se eu tivesse aquela caixa, quem sabe a gostosa… Hummm. Claro!”

Acho que é a mesma coisa nesses protestos. “O que aquelas gostosas estão fazendo seminuas num protesto do PETA? E se eu parasse de comer carne e usar couro, quem sabe as gostosas… Hummm. Claro!”

14
abr
09

Yo Gabba Gabba!

smallgabbagabba

Depois que minha filha descobriu a TV, nunca mais consegui assistir um canal que não seja infantil. Não são muitos, mas pra vocês terem uma idéia, os poucos que têm são o suficiente para resumir meu repertório a músicas que ensinam boas maneiras ou a contar de zero a dez. Já tem gente dizendo por aí que me tornei um ser-humano melhor e mais articulado…

Mas tem um, em especial, que me chamou a atenção desde a sua estréia: o Yo Gabba Gabba!

É o tipo do programa que você torce o nariz no primeiro episódio. Mas só se você assisti-lo sem saber de algumas curiosidades e prestar atenção a alguns detalhes na tela.

Pra começar, Gabba Gabba é uma referência ao grito de guerra dos Ramones: Gabba Gabba Hey! O programa tem uma temática bem anos 80, mais especificamente usando a linguagem dos games dessa época, como os do Atari. Os personagens são um show a parte: Muno, o monstro cocô seco; Foofa, a cebola falante que já passou do ponto; Brobee (ou Barriga), o monstro com aspecto de casca de melancia na lata do lixo; Toodee (ou Gatinha), a gata-vampiro-mutante de outro planeta; e Plex, o robozinho feito de materiais encontrados no porão de casa. Tá legal, essas definições não condizem com a verdade, mesmo porque os personagens são bem bacanas. Ancorando o programa, o doidão DJ Lance Rock, com seu macacão laranja e um chapéu, também laranja, à Jay Kay (Jamiroquai). Ele, com seu jeitão funk-rapper é a referência para o Yo do nome.

A música (sempre beat, rock ou eletrônica) rola durante o programa todo, entre brincadeiras e convidados especiais. E são esses convidados especiais que tornam o programa mais legal. Entre eles, Elija Wood, Tony Hawk (ele mesmo!) e Jack Black. Além disso, as atrações musicais são bem legais. Algumas bandas bacanas, que só o Fábio Massari conhece, como Aggrolites, Aquabats (um dos criadores do programa toca nela) e Supernova, aquela banda que entrou com um processo contra a banda do Tommy Lee (ex-Pamella Anderson) e Jason Newsted (Metallica), que também chamava Supernova e agora chama Rock Star (urgh!). Essas atrações musicais são responsáveis pelos hits mais legais que já ouvi. Sem sacanagem! “Bananas”, do Aggrolites é um reggae muito legal; “Festança na minha pança” (ou Party on my tummy), dos próprios personagens, é espetacular; e o Festa na Piscina (Pool Party!), do Aquabats é docaráleo! Parece um Devo repaginado. Aliás, Mark Mothersbaugh, o vocalista do Devo, tem um quadro fixo no programa, em que ele ensina a criançada desenhar. E tem mais: Yo Gabba Gabba! fez uma apresentação ao vivo na Amoeba Music, a loja de música mais cool de todas as três Américas.

Quer saber mais? Assista no canal Playhouse Disney, geralmente às 10h30 e às 20h30.

Confira aqui a programação.

13
abr
09

O bom ditador

Evo Morales entra em greve de fome. Mas não é por alguma causa nobre, como o sofrimento das camadas mais pobres. Nem pelos direitos das minorias, nem pela matança desenfreada de espécies em extinção. A greve de fome, neste caso, é para sensibilizar os deputados e senadores de seu país a votarem uma lei eleitoral que pode deixá-lo no poder até 2015.

Fazendo uma corruptela da frase recorrente do presidente Lula, nunca na história deste planeta houve um caso de alguém com pretensões despótico-ditatoriais que fizesse greve de fome para se manter no poder. Por que ele não faz como o Hugo Chavez e, muito antes, Fidel Castro e simplesmente bate com o cetro na mesa e muda a Constituição em seu favor? O que ele acha que vai acontecer se a greve de fome surtir efeito? Que ele vai ter aprovação mundial?
Eu não tenho ouvido nada a respeito de outros líderes de outros países solidários à causa. Nem do Lula.
Evo Morales é uma tentativa patética de criar o conceito do “bom ditador”.

Imaginem um país em que seu eterno governante permanece no poder através de mecanismos legais que garantam seu status de chefe de governo e de Estado e que, de quebra, tenha o apoio total e irrestrito de sua população. E esse governante só se preocuparia com o bem estar dos cidadãos (leia-se condições para que todos cresçam e não esmolas para se manterem) e estimularia o relacionamento comercial com outras nações, visando o crescimento da economia interna e externa (esta última com o intuito de manter o “cliente” ativo e gastando). E no dia em que aparecer alguém que possa dar continuidade ao seu projeto de governo, ou que a população não o quiser mais no poder, o bom ditador se recolheria à sua aposentadoria e deixaria o poder em favor dos clamores da população.

Isso não existe, diria Padre Quevedo. Afinal, as palavras “bom” e “ditador” dificilmente se combinam numa mesma frase, além de serem excludentes. Mas o que o Evo quer é provar que ele pode ser a personificação desse conceito. Diferentemente de Chavez e Fidel, que assumiram sua condição de caudilhos, Evo quer a aprovação mundial. Ora, e desde quando um ditador se lixa para o que os outros países pensam?

Eu acredito que ele vê nos modelos de Chaves e Fidel uma maneira equivocada de se manter no poder. Assim, ele desenvolve um estilo de despotismo açucarado, se fazendo de vítma ao lhe ser negado o poder eterno. Enquanto Fidel tomou o poder à força e Chavez reescreveu a carta magna de seu país, fatores que os tornaram populares apenas nos círculos intelectualóides de esquerda e nos movimentos sociais da vertente socialista, Evo Morales quer mostrar ao mundo que um ditador pode ser uma boa opção para um país.

Convenhamos, a história está recheada desses lunáticos. Hitler, guardadas as devidas proporções, tentou fazer o mesmo na Alemanha, com a diferença que o relacionamento comercial com os outros países se resumia a “eu te invado, você se rende e em troca eu te fodo”. Mas as ações clássicas, como desarmar a população, controlar a imprensa e estabelecer um inimigo comum que una a grande massa num clima de “nós contra eles”, são as mesmas em todos os casos.

Do fundo do meu coração? Morra de fome, Evo.




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